April 9, 2021

Terceiro Espelho: O Espelho Daquilo que Perdemos, Doamos, foi Levado ou Tirado de Nós

By YvY

O Terceiro Espelho é talvez o mais comum de todos eles, o mais fácil de ser reconhecido, este é o espelho que reflete todas as vezes que ao olhar nos olhos de uma certa pessoa, a magia acontece, aquela descarga elétrica, e isso geralmente acontece na presença de uma pessoa desconhecida. É aquele “não sei o que” que nos atrai em determinadas pessoas.


O que aconteceu naquele momento ? No decorrer da nossa existência, atuando de acordo com nosso instinto de sobrevivência, houveram momentos de trocas com outras pessoas em nossas vidas, onde muitas vezes deixamos pedaços de nós mesmas extraviados ou perdid0s no caminho, doamos grande parte de nós mesmas, ou permitimos que algo nos fosse tirado ou extraído naquele momento, levado embora ou até mesmo perdido. Quando nos deparamos na presença de indivíduos que personificam aquilo que estamos procurando, (porque perdemos, doamos, ou foi tirado de nós) percebermos este buraco ou vazio em nós mesmas e nosso corpo responde como uma atração magnética. Se alguma vez você sentir-se atraída por uma pessoa por alguma razão inexplicável, e depois se viu compartilhando tempo com esta pessoa, pergunte-se a si mesma: o que é isso que vejo nesta pessoa que em algum momento eu perdi, foi tirado de mim, doei ou entreguei. Talvez irá se surpreender com a resposta.


Ocorre que em cada um desses indivíduos perceberá algo familiar, a sensação de encontrar este pedaço de você mesma no outro. Talvez seja a auto-estima por exemplo, você conhece e admira uma pessoa por ser super segura, e lá dentro devido as circunstâncias da vida onde você foi muito criticada por exemplo, existe um vazio deixado pela perda de auto-estima, esta pessoa está ali para lhe mostrar algo que você perdeu ou foi tirado de você. Se achar apropriado, da próxima vez que isso acontecer com você, envolva-os numa conversa com esse estranho. Fale qualquer coisa. Pergunte a hora, peça informação sobre o lugar que você está indo. E enquanto estiver conversando com a pessoa e mantendo contato visual, faça a si mesma essa pergunta em sua mente : “O que vejo nessa pessoa que perdi, doei ou que tiraram de mim ?” E imediatamente quando você faz essa pergunta, a resposta virá como uma sensação, como uma voz ou imagem, porque funcionamos de modo diferente. Não se surpreenda se a resposta aparecer antes mesmo de você concluir a pergunta. Pode ser algo tão simples como sua beleza, inocência ou a graça com a qual ela se move pela vida. Ou pode ser algo mais sutil, como a confiança em si mesma, algo que você anseia. Muitas vezes, apenas reconhecer o que você perdeu é o suficiente para que a cobrança interna desapareça e você descobrir que não está mais atraído por essa pessoa.


Quando isso acontece, a sensação/sentimento, pode desaparecer tão misteriosamente quanto apareceu. Às vezes isso pode acontecer em minutos; às vezes pode acontecer com casais que compartilham suas vidas por 40 anos. Quando a sensação desaparece, muitas pessoas acreditam que a paixão acabou, vem a desilusão. Quando, de fato, na realidade, o que aconteceu é que eles espelharam um ao outro tão completamente que suas qualidades os tornam completos em si mesmos e agora complementam-se. Eles já não se encontram magneticamente atraídos um pelo outro e a escolha de permanecer no relacionamento, em vez de ser compelida por uma força misteriosa, é simplesmente para honrar a história que compartilham juntos.


Exemplo do autor:
“Uma vez estava no saguão de um hotel com alguns colegas geólogos. Estávamos assistindo um documentário sobre geologia, quando duas mulheres que estavam hospedadas no hotel pediram para assistir conosco pois estavam interessadas no assunto. Um dos meus colegas respondeu que sim, deu boas vindas a elas e seguimos assistindo até
que ao final, na minha primeira interação com estas mulheres, uma delas me chamou atenção ao cruzar o olhar, alguma coisa nela me chamou atenção. Então conversando chamei-a para uma caminhada e caminhamos durante muitas horas trocando ideias. Eu estava retornando ao Novo México e ela para a costa leste. Nos despedimos e ao ver o carro dela se afastando, senti falta dela imediatamente, e ao entrar em meu carro, comecei a chorar porque ela partiu. Em um outro momento, iria pensar que tinha me apaixonado e faria de tudo para retê-la, manter contato, cometer uma loucura ou coisa assim. Porém perguntei a mim mesmo: O que há nesta mulher que me fez sentir falta dela imediatamente? Percebi que nela havia uma espécie de inocência que perdi, ou entreguei, ou foi tirada de mim no momento que escolhi ser acadêmico e me especializar em geologia. Lembrei de um episódio de minha vida onde dirigia por uma cadeia de montanhas e o solo era composto de camadas de cores, e quando vi isso pela primeira
vez fiquei fascinado! A segunda vez que passei por lá, já tinha formação como geólogo e aquelas cores e formas agora recebiam nomes científicos, tornei-me acadêmico e em troca perdi a inocência.”
Esse é um Espelho muito poderoso porque nunca sabemos ao certo onde, como ou quando ele vai ser ativado, refletido. Nós comprometemos parte de nós mesmos na tentativa de suceder em algo, de dar certo, ou empreender algo. Desistimos de nos relacionar com certas pessoas por exemplo, porque decidimos estudar medicina, e esse estudo nos consome. Ao mudar para um outro país, abrimos mão da proximidade com a família, deixamos esta parte dentro de nós vazia, e muitos passam a vida tentando preencher estas lacunas, sem tentar entender que ao fazer certas escolhas, abdicamos parte de nós mesmos.

Veja que esta pessoa ao qual você se sentiu, sente ou sentirá atraída não precisa ser necessariamente do sexo oposto e esta relação talvez nem seja sexual, talvez você nunca compreenda qual parte você renunciou, foi tirada de você, você perdeu e agora vê na outra pessoa. Por que por exemplo, porque você sendo mulher prefere a companhia dos homens ? Nós procuramos reforçar aquilo com o qual nos identificamos. Então toda vez que ocorrer
uma identificação pergunte: o que foi que perdi, foi tirado de mim ou entreguei e agora vejo nesta pessoa.
É por isso que paixão não dura para sempre, porque com o tempo você passa enxergar não o outro, porém a si mesmo no espelho. E muitas vezes o outro não vai preencher o vazio, ele está ali como espelho para que você possa perceber-se. A paixão se dissipa quando a cura acontece, quando ambos compreendem o motivo da aproximação, quando isso acontece pode vir a separação, ou depois de curados decidem seguir porque a companhia um do outro é agradável e vale à pena. Ás vezes demora para acontecer e ficamos mexendo por muito tempo na ferida do outro.