April 9, 2021

Segundo Espelho: O Espelho Daquilo que Julgamos

By YvY

O Segundo Espelho tem uma característica semelhante ao Primeiro, porém é mais sutil, ao invés de refletir para nós aquilo que somos neste momento, ele reflete aquilo que julgamos, se você está cercada de indivíduos que demonstram aspectos de comportamento que a deixam frustrada, ou que te provocam raiva por exemplo, e sente que no momento esses não são seus padrões e isso não é você, então estas pessoas estão ali para refletir aquilo que você julga no momento, resultando em raiva por exemplo. Muitas vezes, o que reflete de volta para nós em nossos relacionamentos não é algo que estamos vivendo agora, mas, ao contrário, é um julgamento que estamos fazendo sobre o comportamento da outra pessoa, se é “certo” ou “errado”. Quando você encontra uma maneira de honrar as pessoas pelo que elas fazem ou são, sem rotulá-las de “certas” ou “erradas”, muitas vezes o espelho deste relacionamento desaparece.


Você já experimentou alguma vez, por exemplo que ao sair com raiva de casa acabou tomando decisões prejudiciais onde a raiva só aumentou, como por exemplo, escolheu a pista errada no trânsito, pessoas foram grosseiras ao interagir com você e assim por diante? Essas pessoas, essas escolhas, estão refletindo como num espelho aquilo que você carregou ao sair de casa. Chamamos isso de Realidade Refletida. Os Espelhos funcionam, se tivermos sabedoria suficiente para reconhecer aquilo que está sendo mostrado ou dito.


Exemplo do autor :
“Alguns anos atrás, tive a rara oportunidade de receber duas pessoas na minha vida, no mesmo mês – este foi o primeiro sinal – duas relações, bem diferentes uma da outra que ocorreram exatamente nos mesmo mês. Uma delas, uma relação de negócios e a outra era um misto de negócio e amizade. Elas vieram para mim, eu não as procurei – outro sinal – A relação de negócio foi muito interessante para mim, estava muito ocupado o tempo todo, aí apareceu um senhor e me ofereceu para cuidar da logística do meu negócio, sugerindo tomar conta apenas de uma parte do negócio, aquela parte que eu não gostava muito, porém tinha que arranjar tempo para executar e andava muito atarefado ..


A segunda relação de negócio/amizade foi com um carpinteiro muito talentoso que ofereceu-se para cuidar da minha casa no Novo México enquanto eu empreendia viagem de negócios ao Egito no outono. Eu estava procurando alguém para ficar em minha casa durante este período, logo, me pareceu ser esta a coisa certa a fazer, ele ofereceu-se para ficar na minha casa em troca do trabalho de carpintaria. Tudo isso ocorreu-me mais ou menos na mesma época, como já disse, durante um período muito ativo de minha vida. Então eu disse, sim, com certeza !

Logo, dentro daquele mês, essas duas pessoas estavam me deixando louco. Elas estavam me colocando contra a parede, e ali diante de tais circunstâncias, percebi que havia um padrão demonstrado por mim durante toda minha
vida, quando as coisas ou pessoas estavam me levando a loucura, eu usava a lógica, através da lógica, convencia a mim mesmo : ok, você só está cansado, você está viajando muito, está sob pressão, espere mais algumas semanas e veja como isso se desenrola. Logo tive que viajar novamente, e ao retornar, uns dez dias depois, tudo estava igual ou seja, as complicações continuavam.


Eu criei uma rotina, todas as vezes que viajava, ainda no aeroporto, sacava algum dinheiro e depois dirigia mais umas quatro horas até chegar em casa. Num domingo, ao chegar de uma viagem por volta das 17hrs, fui ao caixa eletrônico sacar dinheiro, e a máquina me disse que não havia saldo na conta. Eu sabia que havia dinheiro na conta porque tinha acabado de aprovar um crédito no banco para construir. Decidi ir para casa e entrar em contato com o banco na segunda-feira pela manhã.


Ao ligar para o banco, recebi a notícia de que além de não ter dinheiro na conta, estava devendo por ter emitido 71 cheques onde o banco estava me cobrando 30 dólares por cheque emitido, então a pessoa ao telefone pergunta quando posso me dirigir a agência e conversar com o gerente. Dirigi-me ao banco imediatamente. Logo fui informado de que o dinheiro todo foi retirado, sendo por mim autorizado e os cheques estavam sem cobertura. Nesta altura da conversa, não tinha mais como usar nem a lógica. Pois não fazia sentido. Ao mesmo tempo, estava negociando oficinas na costa do Pacífico, porém não tinha resolvido como receberia o dinheiro, estávamos em processo de fechamento de negócio. Ao mesmo tempo, o carpinteiro em minha casa, estava vivendo um estilo de
vida, digamos impróprio ou ilegal dadas as circunstâncias, (aqui não se fala explicitamente qual era a atividade ilegal exercida pelo carpinteiro) ou seja para permanecer cuidando da minha propriedade, precisava mudar o estilo de vida. Tudo isso estava acontecendo ao mesmo tempo. Então pensei, se os Espelhos são verdadeiros, é óbvio que existem Espelhos aqui refletindo. O que estas pessoas estão refletindo para mim ? Saí para caminhar, já que dadas as circunstâncias, não tinha muito o que fazer e perguntei a mim mesmo : se esses Espelhos são verdadeiros, o que eles estão tentando me mostrar ? Então comecei a perceber o que cada uma dessas relações haviam em comum
era a total ausência de honestidade, integridade e confiança. Logo, estas pessoas estão agora na minha vida para me mostrar que eu também não possuo honestidade, integridade ou sou digno de confiança ? Porém um sentimento profundo em meu ser disse : Não ! Essas são características que definem meu trabalho e é precisamente este o
motivo pelo qual trabalho.


Então percebi ali, que elas não estavam refletindo quem eu sou e sim aquilo que julgo, ou seja eu sempre me cobrei muito em relação à integridade, honestidade e confiança, tanto que não era capaz de permitir isso nas outras pessoas. Se você se cobra muito, a vida vai lhe cobrar isso de volta. Essas duas pessoas, foram mestres tão poderosos que aparecem em minha vida naquele momento, para me mostrar claramente aquilo que cobrava em
mim mesmo. Talvez estes Espelhos estavam tentando me mostrar esta faceta de modo tão sutil durante tantos anos, que não me permitia reconhecer o padrão, esses Espelhos com o tempo deixaram de ser sutis de maneira que não pude mais evitá-los ou não percebê- los.


Naquele momento, o Mistério do Segundo Espelho estava sendo refletido. No momento que encontrei o senhor que ofereceu-se para cuidar da logística do meu negócio, uma coisa muito interessante aconteceu. Nós nos conhecemos na casa de uma amigo em comum, na Califórnia, no momento que nos encontramos no hall da casa pela primeira vez, perguntei algo a ele que nunca tinha perguntado a ninguém: “qual o dia do seu aniversário ?” Ele então respondeu: “meu aniversário é dia 28 de junho 1964” a data de aniversário dele é exatamente a mesma que a minha! Então pensei: “que pessoa fantástica! Provavelmente atuamos de forma semelhante em nossas interações com a vida! Será muito interessante tratar de negócios com tal pessoa.” Porém, ele disse algo olhando bem nos meus olhos, que ignorei ou não considerei porque tenho tendência a usar muito a lógica, ele me disse: “Ah! Sou seu irmão gêmeo malvado!” A minha lógica disse naquele momento, me fez pensar, “tudo bem, ele está fazendo piada, tirando onda.” Apesar de experimentar uma sensação diferente ao ouvir o que ele disse (era minha intuição).


No momento em que o carpinteiro mudou-se para minha casa, intuí algo, que ignorei, minha lógica outra vez, me disse: você não conhece este homem ! E por não conhecê-lo, porque julgá-lo ? A razão pela qual estou compartilhando isso agora com vocês é que lá no início, a minha intuição me deu sinais, que ignorei e essa não foi a primeira vez. O que reconheci então foi ter ignorado os sinais e a fraqueza em identificar o padrão de julgamento em relação as pessoas.

Esse não é um julgamento caracterizado pela lógica, é intuitivo, ele vem de todas as informações coletadas ao longo do tempo e é a resposta primordial, instintiva e sábia de cada um. E está presente na consciência, porém num nível mais profundo e passa a ser imperceptível pois usamos a lógica/raciocínio e imaginação muito mais do que a
consciência intuitiva. Uma vez que você identificou o padrão e compreendeu, ele não se repetirá mais.
Simultaneamente em todas as dimensões isso será dissolvido. É assim que nossa consciência opera.
Pergunte a si mesma com relação as pessoas que você mais gosta, as que mais considera e também aquelas que não gosta, essas pessoas estão espelhando você mesma ou aquilo que você julga ?