April 30, 2021

Entendendo os Padrões de Sobrevivência

By YvY

A medida que uma criança cresce, ela passa por estágios de desenvolvimento. O ideal é que durante cada estágio, ela desenvolva um novo conjunto de habilidades que usará para desempenhar as tarefas ou lições desta fase. Conforme a criança passa para um novo estágio de desenvolvimento, novas necessidades surgem, porém ela não percebe se essa necessidade está sendo suprida ou não. Cada um dos cinco Padrões de Sobrevivência podem ser vistos como o resultado de ficar preso em um estágio de desenvolvimento particular, incapaz de aprender e completar a fase. Então, para entender os Padrões de Sobrevivência, devemos primeiro compreender os estágios de desenvolvimento.

• Personificação
• Iniciativa
• Manifestação – Pôr para fora
• Confiar nos Outros
• Confiar em si Mesma

Quando uma criança aprende as novas habilidades de cada estágio e completa esse estágio ela então pode usar suas habilidades quando enfrenta os desafios da próxima fase. Desta forma, as habilidades adquiridas durante um estágio tornaram-se a base para o sucesso no próximo estágio. No entanto, se ela não aprender as habilidades de um estágio particular, o tempo não pára para que ela aprenda. Em vez disso, novas necessidades a empurram para o próximo estágio de desenvolvimento, mesmo que ainda não dominou as habilidades ou estabeleceu uma base sólida para esse próximo estágio. Na verdade, ela agora tem um buraco em seu conjunto habilidades, este buraco torna ainda mais difícil para ela aprender as habilidades necessárias da nova etapa. O tempo continua passando, seu corpo continua a crescer, e ela tem que se virar da melhor maneira possível, usando as habilidades que tem e improvisar algum tipo de solução alternativa para as faculdades que ela carece ‘preenchendo os buracos’. Isso não significa que alguém que em todos os estágios/fases desenvolveu suas habilidades é uma pessoa “melhor” do que alguém que ficou preso num estágio anterior. Isso significa que elas têm mais habilidades/recursos de desenvolvimento à sua disposição para lidar com uma sobrecarga de energia. Isso também significa que elas estão mais separadas de suas emoções e percepções, e portanto menos propensas a se sentirem oprimidas por elas. No entanto, esta distância de suas próprias percepções intuitivas também tem uma desvantagem: embora tenham mais capacidade de agir e realizar coisas, elas têm menos capacidade de se conectar e se relacionar com outras pessoas, animais e à própria natureza. (Nas culturas ocidentais e individualistas, crescemos separados das outras pessoas, da natureza, e até mesmo de nossas próprias percepções sutis. Quando uma criança vê coisas que nós não vemos, invalidamos suas percepções sutis, dizendo: “Não há nada lá. Vá dormir.” ou “Não tenha medo. É apenas um sonho.” Quando dizemos a elas que o que elas percebem não é real, estamos dizendo a elas para parar de perceber, para ignorar sua sensibilidade inata e percepção sutil. Isso tende a desconectar o interior e a capacidade que as tornariam mais sensíveis energeticamente).

A fim de curar nossos Padrões e nos tornarmos capazes de prosperar no presente, cada um de nós deve preencher essas as lacunas ou buracos e completar a fase de desenvolvimento que não concluímos quando crianças. Se ficarmos presos em um dos estágios iniciais de desenvolvimento, então não temos a base necessária para obter sucesso nas fases posteriores, então temos que retornar para o momento ou fase que travamos e reconstruir-nos a partir daí. Porque agora somos adultos e temos mais habilidades e capacidades do que tínhamos quando crianças, nosso processo de reconstrução pode ser mais rápido. Pessoas que concluíram com sucesso os estágios iniciais tendem a pensar que essas habilidades são garantidas e presumem que todos as possuem. Elas normalmente tem dificuldade em entender porque os outros ainda não possuem essas habilidades. ‘O que há de errado com você? Por que não você pega e faz?’ Mas para enxergar as outras pessoas com clareza, devemos perceber que nem todo mundo tem as habilidades necessárias para ‘simplesmente fazer’. Perceber isso nos permite reconhecermos quando alguém ainda não tem essas habilidades iniciais e tratá-las com compaixão.

Estágios de Desenvolvimento

• Personificação (Reivindicando o Corpo)
A incorporação ocorre quando o espírito/alma que chega é capaz de se orientar para o mundo físico, estabelecer-se no corpo e reivindicá-lo. Podemos dizer que o espírito da criança chega e se liga ao mundo físico. A fim de fazer isso, ela precisa experimentar o mundo físico suficientemente amoroso e seguro. Se o ambiente inicial (incluindo o útero) parece seguro e amoroso o suficiente, e se seus cuidadores estão sintonizados com ela e respondem às suas necessidades, ela sentirá que é seguro existir aqui no mundo físico. Ela será capaz apegar-se ao mundo físico, reivindicar seu corpo e encarnar ‘Estou segura aqui. Quero ficar.’

No entanto, se algo em seu ambiente/útero não permitir que sinta-se segura e amorosa o suficiente, mas em vez disso a choca e a assusta, então ela não terá a sensação de segurança em seu corpo e não será capaz de se orientar totalmente para o mundo físico e apegar-se a seu corpo. Ela não acredita que o mundo físico é seguro e não espera que suas necessidades sejam atendidas por ninguém. Esta é a gênese do Padrão de Fuga. Sua experiência, neste caso, é algo como: “Estou assustada. Ninguém se importa. Eu quero sair.”

• Iniciativa
Esta fase ocorre durante os primeiros anos de vida, quando a principal atividade do bebê é absorver e metabolizar o amor e a nutrição. Se os seus cuidadores forem capazes de descobrir o que ele precisa, fornecer e ajudar ele assimilar, seu corpo terá a sensação de que suas necessidades são preenchidas de acordo. Ele aprende a receber o que precisa, e a digerir o que ingere. ‘Tenho uma necessidade, peço ajuda. Recebo. Sinto-me pleno e satisfeito.’ No entanto, se ele não for capaz de absorver, reter ou metabolizar o que precisa, então não terá essa sensação de plenitude em seu corpo. Em vez disso, se sentirá vazio e carente, e passará a acreditar que suas necessidades nunca realmente serão preenchidas.

Esta é a gênese do Padrão de Fusão. ‘Eu tenho uma necessidade. Talvez eu não devesse ter. Eu não consigo entender. Me sinto vazio. Alguém conserta isto.’ Esta pessoa pode tentar resolver esse problema mudando de bebê carente para mãe nutridora, ela mudou para o Padrão de Fusão Compensada. Agora, sua experiência em torno das necessidades torna-se algo como: ‘Eu tenho uma necessidade. Eu a ignoro e projeto em você. Eu atenderei às suas necessidades.’

• Confiar nos Outros (Como Suporte e Guia)
À medida que sua força de vontade aumenta durante o terceiro e quarto ano, até mesmo uma criança que conseguiu se expressar e agir para conseguir o que deseja ainda precisará se sentir contida e protegida por algo maior do que ela. Ela precisa saber que seu poder é limitado por uma força boa, gentil e maior, uma força amorosa que a manterá segura e protegida até de si mesma. Isso faz com que relaxe e confie no mundo, sabendo que algo maior e mais forte está lá para ampará-la e cuidá-la. Se seus cuidadores são capazes de tolerar sua força e ainda com amor contê-la, ela aprende que há limites. E se eles são capazes de protegê-la, ela aprende que é protegida e cuidada por algo maior que ela e que pode confiar. E assim aprenderá a confiar nos outros. ‘Eu tenho uma necessidade. Descobri o que preciso. Eu atuo para conseguir o que preciso, mas existem limites em relação ao que posso fazer. Sou contida, mantida, amparada e salva a por algo bom e maior do que eu.’ No entanto, se seus cuidadores não forem capazes de contê-la e protegê-la com amor, então ela não terá a sensação de que existe algo a contendo, protegendo e cuidando. Ela não espera que algo a contenha ou proteja, em vez disso, acredita que enfrenta o mundo sozinha e deve estar sempre pronta para lutar, se proteger e conseguir o que quer. Agora, ser a maior e a mais forte é sua única segurança. Ter necessidades a faz sentir-se fraca e vulnerável. Esta é a gênese do Padrão Agressivo. ‘Se eu precisar de algo, eu me viro, resolvo sozinha, afinal, tenho que fazer tudo sozinha mesmo. Ninguém me apoia ou cuida de mim. Nada me detém. Estou sozinha.’

• Confiar em Si Mesma (Suporte e Guia Interno)
Assim que a criança aprende o que pode fazer, ela enfrenta um novo desafio, decidir o que fazer. Ela precisa de um método para tomar essas decisões. Se seus cuidadores forem capazes de apoiá-la na descoberta de sua própria verdade interior e em tomar suas próprias decisões, ela aprenderá que pode confiar em sua própria sabedoria. Ela aprenderá a confiar em si mesma e na Fonte interior. ‘Eu tenho uma necessidade. Eu atuo para sanar esta necessidade. Sou guiada por algo que é bom, flexível e inteligente dentro de mim. Eu sou uma centelha disso, estou em contato com esta inteligência.’No entanto, se seus cuidadores são cegos para esta Fonte dentro dela, ou desconsideram sua sabedoria interior, insistindo que ela confie apenas nas regras para guiá-la, então ela não desenvolverá um senso de sabedoria interior. Ela não vai acreditar que os próprios sentimentos são importantes ou que há uma Fonte de sabedoria dentro de si. Em vez disso, ela irá ignorar sua sabedoria interior e acreditar que seu único valor está em seu desempenho. Vai acreditar que toda sabedoria vem de fora, e ela buscará orientação apenas em autoridades sejam elas civis, religiosas ou qualquer regra externa. Esta é a gênese do Padrão Rígido. ‘Eu tenho uma necessidade. Posso agir para sanar esta necessidade, mas devo obedecer às regras. Todos devem obedecer as regras. Sou guiada por uma autoridade que está acima de mim e fora de mim, eu devo obedecer.’

Existem dois outros fatores que merecem atenção neste ponto: primeiro, nenhum dos Padrões de Sobrevivência são melhores ou piores do que qualquer outro – cada Padrão tem seus próprios dons e suas próprias falhas. Em segundo lugar, na própria visão de mundo, nenhum dos Padrões de Sobrevivência são capazes de compreender a estagnação dos outros Padrões. Cada Padrão olha para a estagnação dos outros Padrões e pensa: “O que há errado com você? Por que você não para com isso? Eu não sou assim. Se eu fosse você… etc.’ Essa incapacidade de compreender e ter empatia com as dificuldades dos outros é mais aguda quanto mais longe um padrão está em relação ao seu próprio na sequência de desenvolvimento. Aqueles que fazem parte dos Padrões Anteriores (Fuga e Fusão) olham para aqueles que fazem parte dos Padrões Posteriores (Agressivo e Rígido) e perguntam: ‘Como você pode ser tão mesquinho e insensível?’ Ao mesmo tempo, aqueles que seguem Padrões Posteriores olham para aqueles que seguem os Padrões Anteriores e pensam: ‘Qual é o problema? Recomponha-se! Defenda-se!’ Então, se você se pegar julgando alguém em algum momento e principalmente, enquanto estiver lendo isso, dê um passo para trás e pergunte-se: ‘Qual o Padrão que estou atuando agora? E como esse Padrão está colorindo minha visão sobre o que estou lendo a respeito dessa pessoa?’ Percebendo que tipo de julgamento você usa perceberá quais Padrões você segue. Eliminando as distorções de seus próprios Padrões irá ajudá-lo a ver aqueles que ama de forma mais clara e com mais amor.